quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pegadas

Desamparado e completamente sem rumo
ao ponto de cada passo se perder um pouco
mais. O céu esta escuro demais pra se
enxergar a lua ou qualquer estrela e
o único barulho que se ouve é o singelo som
dos meus passos embriagados por um vazio.

O cansaço faz com que eu feche os olhos,
só que um subido arrepio me desperta e me
deparo com pegadas no chão. Pegadas tão
firmes que chega a passar confiança fazendo
com que eu a sigas. Mesmo não estando em sã
consciência e ficando enlouquecido por
lembranças, sentia uma sintonia a cada
metro que caminhava pisando sobre elas.

Curioso, já enxergava a lua e já era
possível perder as contas contando estrelas.
O vazio já estava cheio ou apenas esquecido.
E a vontade de saber ate aonde aquelas pegadas
iam e a curiosidade de saber quem seria o autor
delas, fizeram com que minhas lembranças se
tornassem nada mais que isso.

E caminhei por horas, dias e semanas. E se não
fosse o suficiente caminharia por meses e anos.
Sempre me sentia perto demais, sempre aumentando
o ritmo.

E de longe enxergo a imagem de uma pessoa um
pouco desfocada. Talvez seria sinal de cansaço
mais não cansaço suficiente para evitar que eu
corresse e alcançasse-a. Me deparo e descubro
que é você e com um espanto mais que evidente
uma pergunta é feita por ambos:

- O QUE VOCÊ FAZ AQUI?

Os risos se tornaram contagiantes, e ficamos
ali por horas conversando. Na despedida uma
pergunta é feita por ela com talvez um pouco
de tristeza mais com uma explosão de fé e
esperança.

" - E agora? Vai ir e continuar seguindo
as tais pegadas? "

Escapou um sorriso espontâneo assim como
as palavras que foram ditas:

- as pegadas já não tem importância alguma
para mim porque acabo de encontrar a dona
delas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário