sábado, 19 de setembro de 2026

1. A, 13. M, 15. O, 18. R : "Shavuot"

O amor é uma commodity,
Na contramão de todas as outras.
Comprar mais porquê todo mercado está contra. 
Vender porquê todo o mercado está a favor. 
Comprar e vender.
O amor dá a chance de arriscar,
Incerto e Convicto.

Ouro e prata.
Toda a abundância,
A novidade do desconhecido.

O amor é o Dinossauro que virou combustível.
O amor é a IA que virou conversa.

O amor é seu julgamento, 
O amor é o que você pede absolvição.

O amor é o egoísmo.
O amor é egoísta ao ponto de seguir a ordem alfabética.

O amor é o bronze. 

O amor é a commodity que você ignora porquê tem algo mais valioso.

O amor não precisa fazer sentido.

O quão o seu egoísmo alcança o amor para se sentir inserido no que tanto ama?

Então, o amor responde: — A M O R.

domingo, 9 de agosto de 2026

A menina com o poder de atravessar o mar agitado de camisetas pretas

Quando você acorda, tentando absorver a madrugada mal dormida pela adrenalina e do nada chega uma mensagem de alguém de quem você lembra do nome e não do rosto dizendo: — Bom dia mano!! O show de ontem foi top kk

Um show de rock tem a capacidade de fazer com que a primeira mensagem do dia seja do Paulinho da borracharia, trazendo a sensação de ser um amigo de décadas, mesmo sem lembrar do rosto do mano.

Um show de hardcore tem a capacidade de unir a doidera, o desabafo, a curtição, a maldade, a libertação… tudo em prol de uma menina de 12 anos querendo entrar no bate-cabeça, com seu pai incentivando, só que ela, com medo por ser apenas uma criança. O show de hardcore deixa o diálogo aberto e se torna viral, ignorando a catarse de cada pessoa de camiseta preta ali, para o pai pôr a filha nos ombros e entrar no bate sem que eles sejam tocados por ninguém, com ambos quase saindo da roda e alguns ali gritando: — Espera, espera… Volta à normalidade, à conduta. Quem for cair a gente tenta segurar, quem cair a gente levanta e como o pai e a filha, quem estiver no chão a gente protege, perguntando se está tudo bem; e sempre está.

Um show de rock traz pessoas que você conhece e não lembra o nome, ou que você não sabe o nome e nem quem são, só que lhe chamam pelos apelidos, alguns que nem você lembrava; Ou chamam pelo nome, dando aquela sensação de estranheza que temos quando falamos nosso próprio nome e os ouvidos percebem o tom da voz. ( Talvez você não ache estranho, eu acho.)

Em um show de rock tem pessoas que não envelhecem e pessoas que parecem muito mais velhas, apesar de terem a mesma idade que a sua. Pessoas que têm uma família e pessoas que já casaram mais de uma vez — e tudo bem, é a vida. 

Um show de hardcore não pode ter briga; diante de qualquer desavença, é orgânico que os amigos de fora apaziguem e logo, a treta vira desculpa e abraço, cantando alto com os braços esticados em direção à banda. Um show de hardcore traz a bondade de você pedir um gole d’água e ganhar a garrafa, de não pedir cerveja e uma lata aparecer na sua mão. De perder o tênis, a carteira, o celular, a chave do carro e quase instantaneamente um desconhecido de camiseta preta devolver a vibe porque encontrou.

Um show de hardcore tem a capacidade de suprir erros técnicos quando a banda para de tocar e geral aguarda, espera, canta a capela. Ansiedade no show de rock é ter certeza de que a próxima música é a que você foi para ouvir — e a próxima acaba sendo a música que você foi para ouvir, e a próxima, e a próxima, e a próxima.

Um show de hardcore traz a unidade que a humanidade precisa e nunca irá alcançar. Um show de hardcore acolhe as diferenças, as loucuras e só chama para conversar quando alguém não sabe a conduta que um show de hardcore tem: — Vem cá, vamos trocar uma ideia.

Posso esquecer desse show de hardcore como inúmeros que fui e não lembro. Mas não vou esquecer a menina de 12 anos no ombro do pai rockeiro e geral no bate, a cena, ajudando ela a perder o medo. A menina, a criança, irá lembrar desse momento quando sentir medo de novo.

As camisetas pretas têm o poder de absorver todas as cores dos problemas que não esquecemos e cantando, jogamos para fora todas as cores que temos dentro e que às vezes, esquecemos.

Como diria a letra da Zander:

“Estamos de partida e nunca é fácil dizer, até a próxima, foi bom te ver…

O cheiro de cigarro e a roupa suja do suor de ontem
vão dizer que é tudo pra valer…

E se eu pudesse te levar pra te mostrar o que me faz, testar limites do meu corpo e não pensar em nada mais. A se eu pudesse te levar e te mostrar o que me faz…

O gosto é de cachaça, ao menos foi de graça e eu não me lembro ao certo quem ofereceu.
Contar de novo as falhas, a gente ontem se esqueceu, o prejuízo e a felicidade vão dizer que é tudo pra valer.”



sábado, 4 de abril de 2026

Inteligente; Sábia; Diferente?! Um tio depois de muito tempo conversando com você.

Acredito que a única qualidade que tenho com convicção é a sinceridade. Não aprendi ainda o meio termo para mim, mas, estou em um caminho bom em ser sincero com alguém que pode apenas dar um tiro na minha cabeça e vida que segue, ou  ser sincero com Deus; Debatendo mesmo sem ter debate na posição dele. Só que, mesmo sendo Deus e ele sabendo de tudo, vou ser sincero mesmo que no meu coração possa estar desagradado ele.

Dito isso, o texto a seguir é só para reafirmar minha sinceridade. Está aqui, no Tente Ser Real, não porquê você é minha sobrinha, ou antes eu dizendo que você podia escrever porquê você conta o que aconteceu comprando pratos com sua avó em detalhes, mesmo sem perceber os detalhes. Tentando escrever um livro, eu percebi que os detalhes são importantes para as personagens, eles me dizem isso; O cheiro do café, foi um dos motivos de estar aqui no blog, de ficar emocionado lendo algo. Minha sinceridade não deixaria o texto a seguir aqui, mesmo você sendo minha sobrinha e amando mais a Bruna de primeiro nome do que usar Roberta rs

“Sumaré SP,9 de março de 2026  

Meu nome é Bruna e eu tenho mais ou menos a sua idade. Estudo na escola Ângelo, aqui na cidade onde moro. Resolvi te escrever para contar um pouco sobre o meu lugar no mundo e como é o meu dia a dia.

Todas as manhãs eu acordo cedo para ir para a escola. O despertador toca e, mesmo com sono, eu levanto, me arrumo e tomo café. Normalmente o cheiro de café e pão quente toma conta da casa, e isso já faz parte da minha rotina. Depois pego minhas coisas e vou para a escola Ângelo. No caminho, vejo as ruas ainda um pouco quietas, algumas pessoas indo trabalhar e o sol começando a aparecer no céu.

Na escola encontro meus amigos, converso, dou risada e assisto às aulas. Esse lugar é muito importante para mim porque é onde eu aprendo coisas novas todos os dias e também onde passo boa parte do meu tempo. Os corredores cheios de alunos, o barulho das conversas no recreio e até a correria para não chegar atrasada fazem parte do meu cotidiano.

O meu lugar no mundo é formado por essas pequenas coisas: minha casa, minha escola, meus amigos e a rotina das manhãs. Pode parecer simples, mas são momentos que fazem parte de quem eu sou e da minha história.

E você, como é o lugar onde você vive? Como é a sua escola e sua rotina?

Espero que você me conte mais sobre o seu dia a dia também!

Um abraço,  

Bruna”




sábado, 7 de março de 2026

Barulho

A expertise da humanidade afunilou — ou melhor, se aproximou — do que falsos videntes dizem que podem prever: o futuro. A ciência encurtou a distância do próximo passo que a natureza pretende dar e, a natureza sendo a natureza, ignora isso vez ou outra; seja pintando uma de suas faces em forma de aurora em um céu que não costuma pintar com tais cores, ou como um terremoto que, apesar de ter um lar, nada o impede de ir para longe e atingir lugares que pesquisadores e computadores acreditavam não ser possível.

As pessoas se assemelham à natureza: existe uma imprevisibilidade constante — por mais previsíveis que pareçam.

No silêncio particular da mente, tento ler as pessoas. Quem é constante demais pode estar escondendo algo; quem é aleatório a todo instante pode estar procurando algo que nem ele mesmo sabe. O silêncio de observar traz a clareza de que não é a primeira impressão que fica e, às vezes, nem um amontoado de impressões traz tal clareza também. Quem sabe o errado sou eu?

Raramente encontramos pessoas que não se enquadram em nenhuma dessas opções. A sinceridade desvairada torna a pessoa um livro que é possível ler pela capa; essa sinceridade faz com que a gente queira abrir o calhamaço em uma página aleatória, só para se deliciar com os detalhes que a capa continua gritando que são apenas detalhes.

Dentro das minhas crenças filosóficas, existe a de que ninguém muda pelo outro ou para o outro. Acredito que somos egoístas demais para isso, e esse egoísmo pode fazer com que mudemos, sim; mas buscamos uma satisfação própria, mesmo que tal satisfação seja alcançar o sorriso de alguém que só fazemos chorar.

Meu egoísmo em forma de caretas traz gargalhadas de fazer você perder o ar. Seu egoísmo nos bons dias às 6 da manhã trouxe sorrisos que só aconteciam depois das 8. Meu egoísmo em tentar ajudar trouxe sua admiração exagerada por mim. Seu egoísmo em falar alto demais trouxe a pessoa que naturalmente fala bem mais alto que você. Meu egoísmo de gostar de escutar trouxe a pessoa que sempre, sempre tem algo para falar.

Nosso egoísmo em carregar essa sinceridade desvairada causa estranheza nas pessoas que leio no meu silêncio particular. Essa sinceridade desvairada — e normalmente no singular — lhe torna a pessoa incrível que você é, que incomoda quem não entende a verdade. Somos parecidos, apesar da maturidade que a idade me trouxe — e você vai chegar lá.

E essa maturidade não pode mudar sua personalidade. Seja egoísta a ponto de entender que você está em primeiro lugar, que você pode mudar, mas por você — mesmo querendo ser melhor para quem está ao seu redor.

A natureza ignora a expertise das probabilidades, como as pessoas ignoram o princípio básico do que é ser sincero sem julgar o que sentem com os padrões em que vivem.

Fechando os olhos, escuto sua gargalhada, e a parte boa é que está em vida. Você me ensinou que é possível rir antes das 8 e me ensinou que a sinceridade, na minha crença filosófica, tem sentido.

É impossível dentro de mim, em parar de falar com você, em lhe ver;

Provavelmente eu amo você, não vou dizer que sim porquê talvez o egoísmo de não estabelecer o que tu precisa, me trava.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Já diria o Racionais MC's: Nada como um dia, após o outro dia.

Bitucas de cigarros, guias com concreto rachado, latas de cervejas e um pino entre o mato que ignora o cimento para continuar crescendo. Não há “mata mato” quando o mato precisa crescer. Um céu pintado de azul e branco com o sol envergonhado para o entardecer. Prédios de quem pagou para morar ali e, pessoas que viram milhões abandonado uma oportunidade para fugir da chuva que demora, mas, quando chega, não existe barrado que aguentaria as “goteiras”. Bem e Mal ou Bom e Mau é uma das regras gramaticais que na fala ninguém percebe qual a última letra; Na verdade, dentro do contexto da escrita, mudar a intenção por uma letra me parece banal; Banal como o equilíbrio que buscamos, o equilíbrio que supostamente precisamos. Banal como alguém ter convicção que está certo mas, por empatia, por equilíbrio, dizer que entende o outro, por mais difícil que seja a situação, por mais que discorde. Banal como alguém que tem a certeza da verdade e tenta convencer, mesmo afirmando que até pode estar errado, mas, é o que você deve fazer. Banal como esse texto.

Não há religião, não há propósito, não há emprego, não há família. Não há música, não há objeto, não a cidade, estado ou país. Não há namorada, não há esposa, não há traição, não amor.

Banal como esse texto.

A quem acorde e diz que, “é um novo dia para viver” e a quem acorde e diz, “é um dia a mais perto de morrer”. E existe quem não diz nada.

O anarquismo de ignorar os pensamentos traz o conforto que não importa se está olhando para um pino ou para o céu azul. O anarquismo do pensamento ignora tentar aceitar o equilíbrio de ver tudo em volta mesmo desfocado.

O anarquismo do pensamento traz você para você.







sexta-feira, 2 de maio de 2025

Fronteira

Um som começa, os ouvidos transmitem para o cérebro referências de melodias de uma canção nunca cantada e, no corte dessa procura, os olhos traduzem o invisível. O vento atravessa as folhagens, ceifando a ternura da dança. A sinceridade transmitida por notar faz entender por que existem sorrisos e lágrimas. Quando se percebe que algo assim aconteceu com você, o purgatório tácito é o caos dentro de uma garrafa contida por uma rolha. É muita beleza que você tem certeza que é para você, mas que o consome sem que você entenda qual é o pecado que está pagando. Na fronteira entre o céu e o inferno, você é o réu, o juiz e os jurados. Quão boa pessoa você acredita ser? Qual é a pior coisa que já fez? Quando seu veredito não é de culpa, a absolvição é a negligência que você acredita merecer porque considera ser uma boa pessoa. Entre a fronteira do céu e do inferno, as pessoas podem escolher um lado com a intenção de se manter distantes de você. Você precisa entender que a responsabilidade de se autointitular uma boa pessoa o transforma em uma das piores. A dança ceifada são os olhos do observador debochando da ignorância de você acreditar que as pessoas que o amam têm a obrigação de querer você por perto. Qual é a pior coisa que já fez?

sábado, 11 de janeiro de 2025

Despertar no pacífico - Terceira estrofe

Você suspira! Como o velho clichê de um suspiro de vida, porém parece ser diferente, você nunca experimentou tal sensação, como se fosse o mesmo susto de um filhote de cachorro espirrando pela primeira vez, pra ele é assustador e justificável o susto, existe um ambiente descoberto nas curtas quatro patas dele sem ainda explorar que pode tornar essa experiência que vem do nada em um medo de voltar a se mover, porém faz seu instinto natural apenas ignorar porque tem situações piores por vir e ele dá outro passo. ( Filhotes sempre dão outro passo independe da situação. )Você não é um filhote, o suspiro acompanha o clichê e a dor não é algo fácil de lidar, a dor é incrédula, ela corrompendo a lembrança e não porque ela tem o poder de fazer isso, mas porque ela assume um papel no suspiro de vida olhando pro absoluto nada que é mais certo largar o que lhe mantém boiando do que qualquer lembrança, motivo ou amor. A dor se torna uma âncora pro alívio, agarrar nela e ir até o final é a única coisa que tem coerência nesses últimos dias que você se sente sóbrio (...)