domingo, 7 de fevereiro de 2021

A melhor procura é aquela que não se usa mapa

Existiu um homem que era aficionado nas estrelas, ele deslumbrava elas como um cachorro faminto fuçando no lixo. Era tanta paixão que ele amaldiçoava o sol a cada nascer pois levava quando surgia a coisa que ele mais amava e sentia medo da noite não voltar e levar com ela o que ele a única paixão que já tivera. Contudo, a noite sempre voltava e ele passava madrugadas adentro mapeando a escuridão do céu e seus pequenos pontinhos brilhantes. Batizou centenas de constelações pois sentia que algumas estrelas só se tornaram significativas juntas e isso o incomodava, ele queria apenas uma, a que mais brilhasse, a maior, a estrela que ele pudesse chamar de sua e talvez cessar tal obsessão que sua paixão tinha se tornado. Já estava velho e cansado, já havia conhecido todas as estrelas e não tinha encontrado uma pra chamar de sua. Certo dia, resmungando contra o sol crendo que ele era o culpado pela sua frustração, um jovem chega e diz algo que seu vasto conhecimento sobre a noite e as estrelas lhe criou uma ponta aguda de ignorância. O jovem disse:

Você acredita que já conhecem todas, você acredita que a escuridão é o caminho pra talvez um dia antes da sua morte você cesse sua procura, você gosta do brilho mas odeia a luz, odeia o dia, o sol. E nessa sua loucura você nunca percebeu que o sol é uma estrela e a mais especial. Que além de ter o brilho que tu tanto anseia, sua luz aquece e se sobressaia sobre todas as outras.

Moral da história: Existem infinitas possibilidades e se por um momento o foco dos seus olhos ficar disperso por poucos instantes e tiver a sabedoria de querer perceber, sempre existirá a estrela que tanto procura simplesmente quando aceitar que é possível, apenas ao parar de procurar algo que você nem conhece ainda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário