A chuva cobre o seu corpo como um véu de noiva e a dor que causa por conta da insolação é comparável com a de uma menina de 13 anos sendo obrigada a casar na década de trinta para quitar as dívidas do seu pai; Você esqueceu qual é a sensação de sentir sede e é natural que isso acontecesse, você nunca havia ficado duas luas sem água, a dor que ressonava em cada membro do seu corpo fora d’água tornava o gosto da morte mais familiar, mais desejável. Como um rio em uma época de seca e seu solo craqueado com suas curvas se perdendo na paisagem árida, as gotas escorrem entre as fissuras dos seus lábios; Eles descolam e sua mente entra em dúvida se o gosto da morte é tão saboroso assim. Um clarão de lembranças é disparado contra você, quando criança adorava quando chovia, dos banhos, das brincadeiras, em juntar as mãos e ver as gotas se acumulando e tomar como se estivesse cedendo, como se estivesse à deriva. A dor, por mais que ela seja cruel carrega consigo uma fraqueza exposta, memórias boas se sobrepõem a ela. Seu primeiro despertar (...)
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
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