Um som começa, os ouvidos transmitem para o cérebro referências de melodias de uma canção nunca cantada e, no corte dessa procura, os olhos traduzem o invisível. O vento atravessa as folhagens, ceifando a ternura da dança. A sinceridade transmitida por notar faz entender por que existem sorrisos e lágrimas. Quando se percebe que algo assim aconteceu com você, o purgatório tácito é o caos dentro de uma garrafa contida por uma rolha. É muita beleza que você tem certeza que é para você, mas que o consome sem que você entenda qual é o pecado que está pagando. Na fronteira entre o céu e o inferno, você é o réu, o juiz e os jurados. Quão boa pessoa você acredita ser? Qual é a pior coisa que já fez? Quando seu veredito não é de culpa, a absolvição é a negligência que você acredita merecer porque considera ser uma boa pessoa. Entre a fronteira do céu e do inferno, as pessoas podem escolher um lado com a intenção de se manter distantes de você. Você precisa entender que a responsabilidade de se autointitular uma boa pessoa o transforma em uma das piores. A dança ceifada são os olhos do observador debochando da ignorância de você acreditar que as pessoas que o amam têm a obrigação de querer você por perto. Qual é a pior coisa que já fez?
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