A expertise da humanidade afunilou — ou melhor, se aproximou — do que falsos videntes dizem que podem prever: o futuro. A ciência encurtou a distância do próximo passo que a natureza pretende dar e, a natureza sendo a natureza, ignora isso vez ou outra; seja pintando uma de suas faces em forma de aurora em um céu que não costuma pintar com tais cores, ou como um terremoto que, apesar de ter um lar, nada o impede de ir para longe e atingir lugares que pesquisadores e computadores acreditavam não ser possível.
As pessoas se assemelham à natureza: existe uma imprevisibilidade constante — por mais previsíveis que pareçam.
No silêncio particular da mente, tento ler as pessoas. Quem é constante demais pode estar escondendo algo; quem é aleatório a todo instante pode estar procurando algo que nem ele mesmo sabe. O silêncio de observar traz a clareza de que não é a primeira impressão que fica e, às vezes, nem um amontoado de impressões traz tal clareza também. Quem sabe o errado sou eu?
Raramente encontramos pessoas que não se enquadram em nenhuma dessas opções. A sinceridade desvairada torna a pessoa um livro que é possível ler pela capa; essa sinceridade faz com que a gente queira abrir o calhamaço em uma página aleatória, só para se deliciar com os detalhes que a capa continua gritando que são apenas detalhes.
Dentro das minhas crenças filosóficas, existe a de que ninguém muda pelo outro ou para o outro. Acredito que somos egoístas demais para isso, e esse egoísmo pode fazer com que mudemos, sim; mas buscamos uma satisfação própria, mesmo que tal satisfação seja alcançar o sorriso de alguém que só fazemos chorar.
Meu egoísmo em forma de caretas traz gargalhadas de fazer você perder o ar. Seu egoísmo nos bons dias às 6 da manhã trouxe sorrisos que só aconteciam depois das 8. Meu egoísmo em tentar ajudar trouxe sua admiração exagerada por mim. Seu egoísmo em falar alto demais trouxe a pessoa que naturalmente fala bem mais alto que você. Meu egoísmo de gostar de escutar trouxe a pessoa que sempre, sempre tem algo para falar.
Nosso egoísmo em carregar essa sinceridade desvairada causa estranheza nas pessoas que leio no meu silêncio particular. Essa sinceridade desvairada — e normalmente no singular — lhe torna a pessoa incrível que você é, que incomoda quem não entende a verdade. Somos parecidos, apesar da maturidade que a idade me trouxe — e você vai chegar lá.
E essa maturidade não pode mudar sua personalidade. Seja egoísta a ponto de entender que você está em primeiro lugar, que você pode mudar, mas por você — mesmo querendo ser melhor para quem está ao seu redor.
A natureza ignora a expertise das probabilidades, como as pessoas ignoram o princípio básico do que é ser sincero sem julgar o que sentem com os padrões em que vivem.
Fechando os olhos, escuto sua gargalhada, e a parte boa é que está em vida. Você me ensinou que é possível rir antes das 8 e me ensinou que a sinceridade, na minha crença filosófica, tem sentido.
É impossível dentro de mim, em parar de falar com você, em lhe ver;
Provavelmente eu amo você, não vou dizer que sim porquê talvez o egoísmo de não estabelecer o que tu precisa, me trava.
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